Um poemeto de meu amigo que virou lema:
" na Fortaleza do abandono
cresço como o mato
que invade as muralhas"
sexta-feira, 13 de junho de 2008
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Pulverização da memória
Conversando com meu amigo Aroldo, que inclusive lançou um comentário neste meu tão concorrido blog, que aqui faço questão de repetir e continuar o assunto:
"tecnologia digital. Fica aí um pensamento do Otavio Paz: "Se a memória se dissolve, o homem se dissolve", preocupação que já perturbava Sócrates diante da passagem da tradição oral para a escrita..."
pois não é? Para exemplo, me lembro de quando sou apanhado por alguma melodia e então vou para uma partitura escreve-la. O que acontece depois é que, com o desencargo de guardar na memória, como que instantâneamente a esqueço. E se a esqueço de minha cabeça, nunca me lembro de recorrer as mil anotações pra encontrar algum propício trabalho futuro...quando percebi isso, parei de anotar, pra assim manter a memória "acesa" e partir para tocá-la intensivamente de uma vez, que é muito mais proveitoso! Eu percebo "auxiliares"de memória muito comuns nestes dias de tanta tecnologia. De tanto registro de memória. Imagens, imagens, registradas e pulverizadas em KB em milhões de HDs. A grande maioria jamais será revisitada, muito menos apalpada. Sim! apalpada. Isso não é pieguismo. Somos seres cinestésicos. Usamos o tato pra nos situamos no mundo, sentirmos e no mínimo avivar a memória ( tanto é que, de todos os sentidos, aquele que se perdemos é o que mais sentimos falta em nossa existência, que na verdade é uma condenação a morte, é o tato). Mas voltando a prosa, podemos hoje registrar tudo, mas tudo mesmo e muitas vezes, aniquilamos nossa própria memória...Como se o que fazemos é justamente o contrário? salvamos a memória a registrando! Nem sempre. Muitas vezes parece mais um desencargo de consciência. Ora, até anotar um pensamento é sim um desencargo de memória. Os contos orais atravessam gerações justamente pela exigência óbvia da memória...usa-se a boca ou a obra morrerá!
Voltando mais uma vez eu pergunto: há tempo pra reavivar tanta memória registrada em KB?... cada vez temos menos tempo em tantos artifícios criados para nos adiantar o tempo...Isso porque as exigências também vêm via estes próprios artifícios.
Toda a propaganda criada de redução de tempo é mentira pura.
E então entro na segunda questão no pensamento...o homem sem memória. Memória, rápida, mutante e muitas das vezes, descartável. O que nos assusta hoje? o que nos faz refletir por mais de uma hora a fio? Duvido que não seja alguma questão pessoal. Cada vez mais escravos do tempo, como que numa areia movediça que quando mais no mexemos...deixa pra lá.
tempos da pulverização da memória.
Entro aí numa outra reflexão: Se não há muito tempo, mas facilidade de registro, informação ampla e fácil, chegamos aos "minifúndios artísticos".
"tecnologia digital. Fica aí um pensamento do Otavio Paz: "Se a memória se dissolve, o homem se dissolve", preocupação que já perturbava Sócrates diante da passagem da tradição oral para a escrita..."
pois não é? Para exemplo, me lembro de quando sou apanhado por alguma melodia e então vou para uma partitura escreve-la. O que acontece depois é que, com o desencargo de guardar na memória, como que instantâneamente a esqueço. E se a esqueço de minha cabeça, nunca me lembro de recorrer as mil anotações pra encontrar algum propício trabalho futuro...quando percebi isso, parei de anotar, pra assim manter a memória "acesa" e partir para tocá-la intensivamente de uma vez, que é muito mais proveitoso! Eu percebo "auxiliares"de memória muito comuns nestes dias de tanta tecnologia. De tanto registro de memória. Imagens, imagens, registradas e pulverizadas em KB em milhões de HDs. A grande maioria jamais será revisitada, muito menos apalpada. Sim! apalpada. Isso não é pieguismo. Somos seres cinestésicos. Usamos o tato pra nos situamos no mundo, sentirmos e no mínimo avivar a memória ( tanto é que, de todos os sentidos, aquele que se perdemos é o que mais sentimos falta em nossa existência, que na verdade é uma condenação a morte, é o tato). Mas voltando a prosa, podemos hoje registrar tudo, mas tudo mesmo e muitas vezes, aniquilamos nossa própria memória...Como se o que fazemos é justamente o contrário? salvamos a memória a registrando! Nem sempre. Muitas vezes parece mais um desencargo de consciência. Ora, até anotar um pensamento é sim um desencargo de memória. Os contos orais atravessam gerações justamente pela exigência óbvia da memória...usa-se a boca ou a obra morrerá!
Voltando mais uma vez eu pergunto: há tempo pra reavivar tanta memória registrada em KB?... cada vez temos menos tempo em tantos artifícios criados para nos adiantar o tempo...Isso porque as exigências também vêm via estes próprios artifícios.
Toda a propaganda criada de redução de tempo é mentira pura.
E então entro na segunda questão no pensamento...o homem sem memória. Memória, rápida, mutante e muitas das vezes, descartável. O que nos assusta hoje? o que nos faz refletir por mais de uma hora a fio? Duvido que não seja alguma questão pessoal. Cada vez mais escravos do tempo, como que numa areia movediça que quando mais no mexemos...deixa pra lá.
tempos da pulverização da memória.
Entro aí numa outra reflexão: Se não há muito tempo, mas facilidade de registro, informação ampla e fácil, chegamos aos "minifúndios artísticos".
não existe poesia no luxo
Não existe poesia no luxo. A poesia nunca está lá, mas em quem transforma. O luxo não transforma.
É no máximo criatura. Jamais criador.
É no máximo criatura. Jamais criador.
sábado, 26 de abril de 2008
chegada
Cá estou eu, finalmente em meu minifúndio. Bem atrasado, é verdade.
Mas antes tarde que nunca, espero poder dar mais um pouco de vazão aos meus pensamentos, planos e sonhos
que ilusão...dentro de uma garrafa em alto mar...começo a gritar.
Mas antes tarde que nunca, espero poder dar mais um pouco de vazão aos meus pensamentos, planos e sonhos
que ilusão...dentro de uma garrafa em alto mar...começo a gritar.
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